Não desespere se não receber resposta às suas candidaturas de emprego porque o mais certo é elas serem falsas

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Fizemos uma breve análise contabilistica (ou somatório) dos vários portais nacionais que publicam anúncios de oferta de emprego e retiramos as possiveis duplicidades existentes (não é um número exacto porque foi por amostragem). Chegámos ao seguinte número – 250.000 vagas em aberto para emprego em Portugal (com as reservas que apontamos em cima).

Ou seja, neste preciso momento, o mercado de trabalho, em Portugal, necessita de 250.000 novos colaboradores (não incluimos o sistema público porque a informação encontrada nos sites governamentais não apresentam estes números – presumimos que o formato de admissão obedece a um modelo de concurso).

Se tomarmos o número de desempregados apresentado pelo INE (aprox: 720.000 desempregados no ínicio de 2015) então Portugal conseguiria baixar o seu nivel de desemprego em cerca de 30% em poucas semanas. Isto num cenário em que existe a probabilidade de em cada 3 desempregados pelo menos 1 deles corresponder ao requerido pela oferta.

Obs: Mesmo em outro cenário, menos optimista, poderia corresponder a uma baixa do nivel de desemprego na casa dos 10% ou 15%.

A pergunta que deixamos é a seguinte: Será que, e para quem neste momento está desempregado, sente que isto é “real”?

A resposta parece ser não e tentamos saber porquê. Encontramos, entre muitos, os seguintes artigos e sites:

  1. Mais de 90% dos anúncios de emprego são falsos. A Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas (APGP) garante que muitos dos falsos anúncios servem para construir bases de dados que são vendidas a empresas. É um negócio transnacional.
  2. Criminosos usam falsos anúncios de emprego para desviar dinheiro.
  3. Burla informática camuflada em falsas ofertas de emprego. Colocam anúncios falsos ou acedem a currículos em sites legítimos e depois oferecem empregos fictícios só para terem acesso a dados pessoais.
  4. O nosso objectivo principal é expor a realidade vergonhosa dos anúncios de oferta de emprego.

Entendemos então que existe um mercado semi-paralelo, semi-legal, onde o objectivo é “lucrar monetáriamente com o desempregado”. Já sabiamos que um simples anúncio de oferta de emprego pode gerar cerca de 400 ou 500 novas respostas, incluindo o seu CV completo. O que não sabiamos é que está a ser usado para criar rápidas bases de dados em função dos seus gostos, actividades e hobbies. Em suma, saber bastante sobre um determinado público alvo e tornar isso vendável para agências de marketing/publicidade. Talvez aquela newsletter ou email que recebe regularmente, no qual nunca se registou, venha exactamente daí.

A ideia de facto é apelativa quando “todos os meios servem para atingir um fim” são válidos e que se resume a isto – Se proventura alguém deseja lançar um novo produto numa determinada área, pode, a custo zero, ter uma percepção imediata de como um público alvo se comporta, as suas características, a que faixa etária pertence, e se usa este ou aquele aplicativo (além de ficar com todos os seus contactos).

Percebemos também que existem “negócios” potencialmente clandestinos de promessa de excelentes empregos bastando para tal que pague um valor inicial para que o processo se inicie (obviamente entendemos o que acontece).

De modo algum queremos ou pretendemos lançar qualquer suspeita sob as reais ofertas de emprego que estão disponiveis online mas, e se estiver desanimado, por não ter recebido nenhuma resposta às 100 candidaturas que enviou lembre-se que talvez apenas 10 sejam reais.

Que precauções posso ou devo tomar?

  1. Alguns dos artigos que mencionamos anteriormente alertam para alguns cuidados que deverá ter que, e em síntese, apontam para analisar com alguma “cautela” o anúncio em questão. Ou seja, pesquisar na própria internet sobre a empresa em questão.
  2. Observar mais atentamente os detalhes do anúnico – se tem um email credível, se exite apenas um número de telemóvel, se exigem algum pagamento, se o texto aparenta um modelo generalista ao invés de uma real necessidade de um colaborador podem ser sinais de que algo não é exactamente como aparenta.
  3. Tomar a decisão de se focar, principalmente, nas ofertas de emprego vindas de entidades recrutadoras reconhecidas.
  4. Nunca revele dados sensíveis tais como dados do cartão de crédito, dados de acesso bancário, dados de acesso a contas em redes sociais, dados de acesso ao email (válido não só para este tema mas também para tudo o que são cuidados base de navegar na web).
  5. Caso decida se candidatar a uma oferta de emprego use um email secundário para estabelecer contacto.

Obs: Infelizmente não existe nada que garanta que não está a fornecer todos os seus dados para algo menos ético mas proventura alguns dos apontamentos aqui colocados possam o ajudar a melhorar a sua pesquisa e candidatura.